O calendário dá forma ao jejum

O ano da Igreja inclui quatro períodos principais de jejum: a Grande Quaresma antes da Páscoa, o jejum dos Apóstolos, o da Dormição e o da Natividade. A maioria dos calendários ortodoxos também assinala a quarta e a sexta-feira como dias habituais de jejum, exceto nos períodos definidos sem jejum, juntamente com vários dias especiais.

As indicações alimentares exprimem-se tradicionalmente como abstinência de carne e, em muitos dias, de laticínios, ovos, peixe, vinho ou azeite. A prática não é idêntica em todas as jurisdições nem em todos os dias. Um calendário paroquial é mais fiável do que uma tabela genérica, sobretudo em torno de festas e costumes locais.

Porquê a quarta e a sexta-feira?

A quarta-feira recorda a traição de Cristo; a sexta-feira, a sua Paixão e morte na Cruz. Guardar estes dias ajuda a tornar a semana uma pequena escola do Evangelho. O objetivo não é fazer da comida algo angustiante ou misterioso, mas deixar que um modesto ato de renúncia oriente o coração para a gratidão, o arrependimento e a solidariedade com quem passa privações.

O jejum também vai para além do prato. Os cristãos são convidados a jejuar do ressentimento, da maledicência, do entretenimento compulsivo e de tudo o que afaste o amor a Deus e ao próximo.

O jejum é mais do que uma ementa

A prática ortodoxa une o jejum à oração e à esmola. O apelo de Isaías a desatar os laços da injustiça e a alimentar quem tem fome recorda que um jejum religioso é vazio se deixa invisíveis os vulneráveis. O dinheiro, o tempo e a atenção que o jejum liberta podem tornar-se misericórdia: uma refeição partilhada, uma dívida perdoada, uma visita ou um pedido de desculpa difícil.

O jejum não compra o favor de Deus. Abre espaço para receber a graça e reconhecer quanto dependemos de Deus e uns dos outros. Uma regra pequena e constante, guardada com ação de graças, é melhor do que uma regra severa que produza orgulho ou desespero.

A economia é cuidado pastoral

Não há virtude em prejudicar o corpo nem em competir com a regra de outra pessoa. As crianças, os idosos, as grávidas ou mães que amamentam, quem tem doenças e quem tem um trabalho ou viagens que dificultam uma regra podem precisar de uma adaptação. Um sacerdote também pode dar a sua bênção para uma prática diferente durante dificuldades familiares, isolamento ou uma fase de regresso à Igreja.

Receber essa orientação não é «fazer batota». Na vida ortodoxa, a economia é uma aplicação pastoral do fim da Igreja: a cura e a comunhão com Cristo. Se tiver dúvidas, pergunte antes de começar o jejum, em vez de tentar resolver cada exceção por sua conta.

Uma regra moderada para começar

  1. Consulte o calendário local

    Use o calendário da sua paróquia ou jurisdição, incluindo as permissões para os dias de festa.

  2. Pergunte ao seu sacerdote

    Exponha a realidade da sua saúde, do seu lar, do seu trabalho e da sua experiência anterior.

  3. Prepare-se para a misericórdia

    Escolha uma oração, uma reconciliação ou um ato concreto de generosidade que acompanhe a regra alimentar.

  4. Regresse sem vergonha

    Se falhar, dê graças, reconheça a verdade e comece de novo. O jejum é um caminho, não uma atuação.

Práticas relacionadas

Continue a aprender o ritmo

Estes guias situam o jejum dentro da vida mais ampla do culto ortodoxo e do arrependimento.

Fontes e leituras complementares