A oração na vida da Igreja
A Divina Liturgia é o centro da oração ortodoxa, dentro de um ritmo mais amplo. As orações da manhã e da noite, as orações antes das refeições, as Horas, as Vésperas, as Matinas e o Saltério ensinam a orientar o dia para Deus. A oração privada não substitui a paróquia; o culto comunitário dá à devoção pessoal a sua linguagem e o seu lar.
Esse ritmo é suficientemente flexível para quem começa na fé, para um pai ou uma mãe com uma criança cansada ou para quem regressa depois de uma longa ausência. Uma oração breve e sincera é melhor do que uma regra impressionante que não se consegue manter.
A Oração de Jesus
A forma tradicional é: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador.» Confessa quem é Jesus, reconhece a nossa necessidade e pede misericórdia, não controlo. Pode ser dita uma vez, repetida em silêncio ao caminhar ou integrada numa regra de oração mais longa.
A tradição ortodoxa transmite também uma advertência séria: os métodos que coordenam a oração com a respiração, a postura ou uma intensa atenção interior pertencem a uma vida de direção espiritual e não devem ser improvisados a partir de um artigo da Internet. Comece com simplicidade, sem procurar sensações, e peça orientação a um sacerdote se desejar aprofundar.
A oração também tem corpo
Os cristãos ortodoxos rezam com a pessoa inteira. Fazemos o sinal da cruz, ficamos de pé quando podemos, inclinamo-nos, ajoelhamo-nos, acendemos uma vela, veneramos um ícone e deixamos que a Escritura cantada encha o espaço. Estas ações não conquistam a graça; ajudam a recolher o corpo distraído e proclamam que a própria criação se oferece a Deus.
Uma corda de oração ajuda a contar; não é um amuleto. Os ícones não são ídolos nem são tratados como adornos: dão testemunho da Encarnação e convidam-nos a rezar com os santos.
Um esquema para os dias comuns
- Comece por dar graças
Faça o sinal da cruz e reconheça um dom antes de pedir seja o que for.
- Leia um pouco da Escritura
Escolha um salmo ou uma breve passagem do Evangelho e deixe que uma frase o acompanhe.
- Reze com simplicidade
Utilize as orações da sua tradição, o pai-nosso ou algumas frases sinceras.
- Leve-o à misericórdia
Pergunte-se como a oração muda a sua próxima conversa, tarefa ou encontro.
Silêncio, luta e discernimento
O silêncio na oração ortodoxa não exige esvaziar a mente nem sentir paz por vontade própria. Os pensamentos dispersam-se; podem surgir a dor e a ira. O trabalho consiste em voltar a Deus com paciência, reconhecer a verdade e receber ajuda da Igreja, sem medir a qualidade da oração por um estado de espírito interior.
Os acatistos, os cânones, o Saltério e os ofícios diários oferecem palavras quando nos faltam as nossas. Um pai ou uma mãe espiritual pode ajudar a escolher uma regra fiel, humana e ligada à vida paroquial.
Deixe que uma prática o leve a outra
A oração torna-se mais regular quando se une à Escritura, ao culto e às vidas dos santos.
Fontes e leituras complementares
- Oração Igreja Ortodoxa na América: oração pessoal, ciclos diários e comunhão com Deus.
- A Oração de Jesus Igreja Ortodoxa na América: significado da oração e necessidade de orientação para os métodos avançados.