Um credo rezado com o corpo

A fé cristã abrange a pessoa inteira. O sinal da cruz permite que o corpo confesse o que os lábios proclamam: um só Deus no Pai, no Filho e no Espírito Santo, e a morte e ressurreição salvadoras de Jesus Cristo. Situa a oração como vida sob a Cruz, não como procura de controlo.

Os primeiros cristãos usavam o sinal em formas que se desenvolveram com o tempo. A sua presença generalizada nas Igrejas antigas dá testemunho de uma intuição partilhada: o instrumento de vergonha tornou-se o sinal da vitória de Cristo e da identidade batismal do cristão.

Como o fazem os cristãos ortodoxos

  1. Junte os dedos

    O polegar, o indicador e o dedo médio mantêm-se habitualmente juntos pela Trindade; os outros dois recordam a divindade e a humanidade de Cristo.

  2. Toque na testa e no tronco

    O movimento desce formando a Cruz e é frequentemente entendido como santificação da mente e do coração, ou como recordação da descida de Cristo.

  3. Vá à direita e depois à esquerda

    A prática ortodoxa bizantina toca no ombro direito antes do esquerdo; os cristãos ocidentais costumam inverter essa ordem.

  4. Reze, não faça uma exibição

    O gesto é frequentemente acompanhado de «Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo».

Quando se faz

As pessoas fazem o sinal da cruz no início e no fim da oração, quando se nomeia a Trindade, diante dos ícones, durante as bênçãos, ao entrar numa igreja, em momentos de gratidão ou perigo e em inúmeras circunstâncias pessoais. O ritmo local varia; algumas fazem o sinal com frequência e outras com maior moderação.

Um visitante não precisa de imitar todos os movimentos. Observe, pergunte e participe quando o gesto for sincero para si. Os gestos acabados de aprender podem parecer desajeitados, mas a reverência cresce com uma prática sem pressa, não com uma coordenação perfeita.

O que o sinal não significa

O sinal não é um amuleto que obrigue Deus a impedir um dano, torne automaticamente santa uma decisão ou desculpe o pecado. Não tem vida à margem da fé, do arrependimento e de Cristo. A repetição mecânica pode esvaziar-se de sentido, enquanto rejeitar a oração corporal como intrinsecamente vazia é não compreender a Encarnação.

Não fiscalize com que cuidado os outros tocam em cada ponto nem com que frequência fazem o sinal da cruz. A doença, a deficiência, a cultura, a atenção e a prática pessoal variam. O propósito é recordar Deus e entregar-se à Cruz, não comparar-se.

Uma pequena prática diária

Comece a oração da manhã e da noite com o sinal da cruz. Faça-o devagar antes das refeições, antes de abrir a Escritura ou quando precisar de interromper a ira e recordar Cristo. Deixe que o gesto traga a mente de volta às palavras que está a rezar.

Se está a aproximar-se da ortodoxia, pode fazer o sinal da cruz sem fingir que já foi recebido na Igreja. Trate-o como uma confissão sincera e deixe que o culto paroquial ensine o seu significado com o tempo.

Fontes e leituras complementares