Não há um papa ortodoxo universal

A ortodoxia não tem um único bispo que governe todas as dioceses, nomeie todos os bispos ou possa definir sozinho um dogma para toda a Igreja. A Igreja mundial é uma comunhão de Igrejas locais autocéfalas e autónomas, cada uma ordenada através de bispos reunidos em sínodo.

Isto não significa que não haja autoridade. Os bispos ensinam, santificam, guardam a comunhão e governam dioceses reais. Os sínodos tomam decisões vinculativas dentro da sua competência. Os sacerdotes servem as paróquias pela autoridade do seu bispo, não como empreendedores espirituais independentes.

Bispo, arcebispo, metropolita, patriarca

Todos os bispos diocesanos têm o mesmo ministério sacramental. Títulos como arcebispo, metropolita e patriarca descrevem habitualmente a importância de uma sé ou uma função de coordenação dentro de uma Igreja local; não criam graus superiores do sacramento episcopal.

Um primaz preside ao sínodo de uma Igreja autónoma e representa-a nas relações com outras Igrejas. Continua sujeito à ordem sinodal e não substitui os bispos nas suas próprias dioceses.

O patriarca ecuménico

O arcebispo de Constantinopla, chamado patriarca ecuménico, ocupa o primeiro lugar de honra entre os primazes ortodoxos. A ortodoxia costuma chamar-lhe primeiro entre iguais. Tem importantes responsabilidades de coordenação, representação e ordem canónica, entendidas de forma diferente em algumas disputas atuais.

Não é uma versão oriental do papa de Roma. Não possui jurisdição ordinária sobre todos os cristãos ortodoxos nem o poder de definir a doutrina sozinho. As afirmações sobre o alcance exato do seu primado devem ser formuladas com cuidado, porque as Igrejas ortodoxas atualmente não são unânimes sobre todas as aplicações.

Como a Igreja permanece una

Este modelo pode parecer administrativamente desordenado, sobretudo durante um conflito. A ortodoxia considera que a comunhão conciliar, não a eficiência centralizada, é a forma básica da autoridade católica.

  • Uma confissão partilhada da fé apostólica e dos concílios ecuménicos.
  • Comunhão nos mesmos sacramentos, sobretudo na Eucaristia.
  • Reconhecimento canónico e concelebração entre bispos e Igrejas locais.
  • Uma tradição litúrgica, espiritual e canónica comum entre culturas.
  • Concílios e sínodos que abordam questões que ultrapassam um bispo ou uma diocese.

Quem segue um cristão comum?

O seu lar eclesial concreto é uma paróquia canónica sob um bispo diocesano. O sacerdote paroquial ensina e exerce o seu ministério sob a supervisão desse bispo. As perguntas sobre Comunhão, casamento, receção, disciplina e prática local pertencem primeiro a essa relação de responsabilidade.

Os debates na Internet sobre patriarcas podem distrair da obediência que a pessoa tem diante de si: culto, arrependimento, amor e serviço numa comunidade real. Conheça a estrutura mais ampla, mas não use um conflito jurisdicional distante para evitar a responsabilidade cristã quotidiana.

Fontes e leituras complementares