A confissão é reconciliação e cura
O pecado não é apenas infringir regras; fere a comunhão com Deus, com os outros, com a criação e com a nossa própria vida verdadeira. A confissão leva o que está escondido à verdade diante de Cristo. O seu objetivo não é a humilhação por si mesma, mas o perdão, a comunhão restaurada e um remédio para mudar.
Os cristãos ortodoxos confessam-se diretamente a Deus todos os dias. A confissão sacramental não nega esse acesso. Torna o arrependimento eclesial e concreto: o sacerdote está como testemunha da Igreja, oferece conselho e pronuncia a oração de absolvição confiada ao ministério da Igreja.
Como preparar-se sem escrever uma autobiografia
- Reze para ver com sinceridade
Peça a Deus que revele o pecado sem desespero, desculpas ou obsessão.
- Reveja as suas relações e responsabilidades
Considere as suas faltas de amor a Deus, à família e ao próximo, e as suas faltas no trabalho, no cuidado do corpo, nas palavras, no dinheiro e nos pensamentos ocultos.
- Nomeie os seus próprios pecados
Evite explicações longas sobre o que os outros fizeram ou relatos pensados para se justificar.
- Reconheça os padrões
Uma lista breve pode ajudar, sobretudo com hábitos repetidos, mas não transforme a memória num teste à misericórdia de Deus.
- Prepare um ato de arrependimento
Prepare-se para reparar um dano, afastar uma ocasião de pecado, procurar tratamento ou aceitar uma orientação pastoral concreta.
O que acontece na confissão
A forma varia. Muitas vezes, o penitente está diante de um ícone de Cristo e do livro dos Evangelhos, com o sacerdote ao seu lado. Leem-se orações, a pessoa confessa-se e o sacerdote pode fazer uma pergunta de esclarecimento ou oferecer conselho. Uma oração de absolvição conclui o mistério.
O sacerdote não está ali para ficar chocado nem para se entreter. Fale com simplicidade, sem pormenores gráficos desnecessários. Se um tema envolver trauma, abuso, um crime, perigo para si ou para outros, ou dúvidas sobre a obrigação legal de comunicar, diga ao sacerdote o suficiente para perguntar como se aplicam a confidencialidade e as obrigações de proteção antes de revelar pormenores. As orientações do clero e a lei civil podem variar consoante o local.
Com que frequência devem os cristãos ortodoxos confessar-se?
A prática difere entre jurisdições e pais espirituais. Algumas pessoas confessam-se com um ritmo regular; outras, antes das grandes festas, depois de um pecado grave ou segundo a orientação do seu sacerdote. Em muitas paróquias, não se exige confissão antes de cada Comunhão a quem comunga regularmente e vive sob orientação pastoral; noutros locais, o costume é mais rigoroso.
Não escolha nem a negligência nem a repetição compulsiva. Um ritmo estável permite que a confissão faça parte do crescimento, em vez de ser um rito de emergência. O seu confessor é a pessoa indicada para ajudar a estabelecer esse ritmo.
A sua primeira confissão
A primeira confissão, muitas vezes antes da receção na Igreja, pode percorrer as grandes linhas da vida da pessoa. Pergunte ao sacerdote como quer que se prepare e quanto tempo convém reservar. Não copie uma longa lista da Internet nem se acuse de pecados que não compreende.
O medo costuma diminuir quando a confissão começa. A palavra central da Igreja não é exposição, mas misericórdia de Cristo. Saia com um ou dois conselhos concretos, dê graças e continue o trabalho do arrependimento sem reabrir repetidamente o que já foi absolvido.
Fontes e leituras complementares
- O sacramento da penitência Igreja Ortodoxa na América
- Confessar-se na presença de um sacerdote Igreja Ortodoxa na América
- Orientações para o clero Igreja Ortodoxa na América